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Setembro Lilás: demências devem atingir 2,78 milhões de brasileiros até 2030

Especialista explica o papel da enfermagem no cuidado humanizado de pacientes com Alzheimer.

Uma pesquisa publicada na Revista Journal of Gerontology projeta que até 2030, o Brasil terá 2,78 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivendo com algum tipo de demência. Em 2050, o número deve chegar a 5,50 milhões. A estimativa cresce à medida que também aumenta a expectativa de vida. Hoje, conforme o levantamento da publicação, são mais de 1,7 milhão de brasileiros nessas condições, com 100 mil novos casos por ano. Os dados mostram a importância de se falar sobre temas como o Alzheimer, doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo, com a campanha Setembro Lilás e o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, auxiliando na construção do debate.

Mais do que o simbolismo, dedicar um mês inteiro a essa causa pretende informar e educar a população sobre os sinais, sintomas e formas de lidar com a doença, promovendo o diagnóstico o mais cedo possível e combatendo estigmas e preconceitos. Para Danuza Gatto, professora de Enfermagem da FADERGS, a campanha é fundamental. "O Setembro Lilás é uma oportunidade de levar informações corretas à população, ajudando a identificar sinais do Alzheimer. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as chances de retardar sua evolução e melhorar a qualidade de vida do paciente e da família, com adoção de cuidados adequados que podem manter a autonomia por mais tempo", contextualiza.

Explicando o Alzheimer

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, ainda sem cura, que afeta principalmente a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar tarefas do dia a dia. Ela é a forma mais comum de demência, responsável por cerca de 60% a 70% dos casos, e ocorre quando células do cérebro são danificadas e morrem, comprometendo funções cognitivas essenciais. Entre os sintomas mais frequentes estão perda de memória recente, desorientação no tempo e espaço, dificuldade na linguagem, alterações de humor e comportamento, além de dificuldades para realizar atividades cotidianas simples.

"O Alzheimer não é apenas esquecer nomes ou datas. É uma condição que afeta a memória, o comportamento e a autonomia do paciente. Por isso, a conscientização e o acompanhamento são fundamentais para garantir qualidade de vida e oferecer suporte à família", destaca Danuza.

Sinais de alerta do Alzheimer

Prestar atenção aos sintomas é a primeira parte. "Os pacientes podem apresentar perda de memória recente, como esquecer compromissos, nomes ou acontecimentos do dia anterior, repetição de perguntas e histórias, além da dependência excessiva de lembretes e anotações. Também podem apresentar desorientação no tempo e no espaço, dificuldade de linguagem, problemas para realizar tarefas simples do dia a dia, alterações de humor ou comportamento, como irritabilidade, agressividade e desconfiança”, explica a docente da FADERGS.

O papel do enfermeiro no cuidado

O enfermeiro é peça-chave no acompanhamento de pacientes com Alzheimer, atuando de forma atenta e humanizada. Ele não apenas se atenta aos comportamentos gerados pela doença, mas também realiza avaliações periódicas e desenvolve planos de cuidado individualizados, adaptados às necessidades de cada paciente. Desde a atenção primária, com visitas domiciliares, até cuidados paliativos, o enfermeiro garante suporte físico e emocional, oferecendo acolhimento tanto ao paciente quanto à família. "O enfermeiro tem um papel fundamental em toda a trajetória do paciente com Alzheimer, não só cuidando da saúde física, mas também oferecendo apoio emocional  e coordenando o plano de cuidado pensado pela equipe multiprofissional para um atendimento integrado e humanizado", afirma Danuza Gatto.

O cenário ideal é o de acompanhamento por equipe multiprofissional que integre psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais.

Cuidados, rotina e abordagem humanizada

Cuidar de alguém com Alzheimer vai muito além das tarefas do dia a dia. Cada gesto de estímulo à memória e de adaptação do espaço para maior segurança contribui para proporcionar qualidade de vida e conforto emocional, tanto para o paciente quanto para quem cuida dele. "Reforço cognitivo e funcional, adaptação do ambiente para prevenir quedas, planejamento de higiene e alimentação, monitoramento de medicamentos, estímulo à interação social e orientação familiar são fundamentais", destaca a enfermeira.

Manter uma rotina previsível e utilizar recursos visuais e sonoros também contribui para reduzir a confusão e a agitação do paciente. Calendários, relógios, fotografias e objetos familiares ajudam a aguçar a memória e reduzir a confusão, enquanto a música pode melhorar o humor e acalmar pacientes agitados. De acordo com a especialista, estabelecer horários fixos para alimentação, banho e atividades ajuda o paciente a se situar no tempo e no espaço.

Além dos cuidados práticos, é fundamental uma abordagem humanizada, que respeite sentimentos e percepções do paciente. "Validar sentimentos e evitar confrontar percepções equivocadas fortalece vínculos familiares e preserva a dignidade do paciente. Essa abordagem ajuda tanto o paciente quanto os familiares a lidarem melhor com os impactos da doença", reforça a professora.