#geral

Outubro Rosa: especialista destaca a atuação do enfermeiro no cuidado com pacientes em tratamento oncológico

O cuidado da enfermagem vai além do tratamento: envolve acolhimento, escuta e apoio integral às mulheres na luta contra o câncer de mama.

O Outubro Rosa nos lembra que, além de conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, é essencial ampliar o olhar para todo o processo de enfrentamento da doença. É também um momento de reforçar a importância do cuidado, do acolhimento e das práticas que tornam a jornada do tratamento oncológico mais humana, buscando o bem-estar integral das pacientes e de suas famílias

Para Danuza Gatto, professora de Enfermagem da FADERGS, a enfermagem desempenha um papel essencial nesse processo. Mais do que aplicar medicações e acompanhar exames, o enfermeiro é presença importante na vida de quem enfrenta o câncer, oferecendo conforto, escuta, educação em saúde e apoio emocional em cada etapa da caminhada. “O papel da enfermagem vai muito além do suporte clínico. Envolve uma abordagem holística, que considera não apenas os aspectos físicos da doença, mas também os emocionais, sociais, culturais e espirituais”, explica a docente.

Técnicas que aliviam os efeitos colaterais

Os tratamentos oncológicos como a quimioterapia e a radioterapia costumam trazer efeitos colaterais desafiadores. Náuseas, fadiga, alterações na pele e queda de cabelo são apenas alguns exemplos. O enfermeiro tem um papel fundamental na antecipação e no manejo desses sintomas. Desde o controle rigoroso de medicações e monitoramento de sinais até orientações sobre descanso, alimentação e técnicas de relaxamento, cada cuidado faz diferença.

“É necessário um olhar atento, uma tomada de decisão assertiva e a capacidade de antecipar-se aos efeitos. Além das intervenções clínicas, o enfermeiro pode oferecer técnicas de relaxamento, terapias complementares e suporte emocional sempre respeitando as crenças e os desejos do paciente”, afirma a especialista. Entre as práticas integrativas mais usadas nos hospitais estão o reiki, a musicoterapia, a aromaterapia e a meditação, que auxiliam na redução da ansiedade, no controle da dor e na melhora da qualidade de vida.

Cuidado que vai além da técnica

O vínculo criado entre enfermeiros, pacientes e familiares é um dos pilares emocionais do tratamento oncológico. Essa proximidade diária torna o profissional de enfermagem um verdadeiro ponto de apoio, em razão de os enfermeiros, na maioria das vezes, serem os profissionais que acompanham de maneira mais próxima os pacientes e suas famílias, e essa proximidade proporciona carinho, acolhimento e escuta ativa

Segundo Danuza, o enfermeiro é, por essência, um educador. Por meio das orientações, ele ajuda o paciente a compreender o próprio tratamento e a desenvolver autonomia no autocuidado, o que contribui para a adesão às terapias e para o bem-estar físico e emocional. .“Somos suporte frente às angústias e medos que a condição impõe. Nosso papel é garantir segurança, empatia e conforto, mesmo diante dos momentos mais delicados.”

Atividade física como aliada

A prática de exercício físico  também é uma importante aliada no alívio dos efeitos do tratamento. Estudos, e as próprias diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), indicam que a prática regular e adaptada às condições de cada paciente contribui para reduzir a fadiga, melhorar o humor e fortalecer o corpo.

O enfermeiro pode orientar atividades leves, como caminhadas, hidroginástica, alongamentos e yoga, desde que sempre acompanhadas por um profissional de Educação Física e aprovadas pela equipe médica. “Cada paciente é único. Por isso, antes de indicar qualquer prática, é fundamental compreender o tipo de câncer, o estágio da doença e o tratamento adotado”, ressalta.

Orientação e prevenção contínuas

A atuação da enfermagem também é preventiva: o profissional orienta o paciente para reconhecer sinais precoces dos efeitos colaterais e agir antes que eles se agravem. Esse acompanhamento pode acontecer presencialmente ou até mesmo por meio de tecnologias, como aplicativos e telemonitoramento.

Nos casos mais avançados, em que o foco é o conforto e os cuidados paliativos, o olhar da enfermagem volta-se para a dignidade, autonomia e espiritualidade do paciente. “O cuidado, nesse momento, é ressignificado. Ele passa a significar presença, respeito e acolhimento diante da finitude da vida”, diz Danuza.

Depois do tratamento, o cuidado tem  que continuar. O acompanhamento da enfermagem permanece essencial, os chamados efeitos tardios — sequelas que podem surgir meses ou anos depois — exigem atenção constante. “O paciente oncológico continua sendo acompanhado por muito tempo. Nosso papel é garantir que ele tenha informações, apoio e acompanhamento para lidar com qualquer mudança que possa surgir”, conclui.